História na partitura do “Oratório São João Batista” – Léo Schneider – Bispo Nathanael Inocêncio do Nascimento

        “Em 1945 tive meu primeiro contato com Léo Schneider. Acabava de realizar uma série de pregações evangelizantes em Cruz Alta, Rio Grande do Sul, e preparava-me para viajar, quando ele chegava, acompanhado de um grupo coral, que cantaria um dos oratórios de sua autoria.

       Posteriormente encontrei-o em Porto Alegre como organista de igreja, professor de piano, professor de música no Instituto Porto Alegre e no Colégio Americano e como regente de grandes corais. Nessa ocasião conheci o primeiro dos seus oratórios – O Calvário.

       Dos encontros pessoais ocorridos na ocasião e dos informes recebidos sobre sua pessoa e sobre sua obra, resultou, em mim, profunda impressão que o indigitava como cristão convicto, alma crente e dedicada ao Senhor, sempre votado à divulgação das verdades eternas da Revelação. Seus oratórios difundiam o Evangelho, juntando-Lhe à letra, música pura e de indiscutível inspiração divina.

       Planejei trazer para São Paulo suas criações para que fossem conhecidas num centro maior.

       Com sua autorização, dei a partitura do “João Batista” a um regente que fazia escola em Piratininga. Dias passados, devolveu-me, o Maestro, alegrando falta de meios para prepara-lo.

       Embora sem os conhecimentos técnicos necessários resolvi preparar, pessoalmente, o oratório.

       Iniciei, então, na capital paulista, as concentrações dos coros das igrejas metodistas, para as promoções evangelizantes.

       Mês após mês, centenas de cantores reuniam-se em praça pública para cantar as grandezas do divino amor.

       Eram reuniões magnificas!

       Eu vingava a alguma coisa mais – conhecer e selecionar vozes e organizar um coral capaz de apresentar os oratórios de Léo Schneider.

       Organizei o Coral Evangélico de São Paulo e comecei os ensaios do “João Batista” ... Cento e oitenta e dois ensaios ... Luta para conseguir o Teatro Municipal ... Guerra para obter a grande orquestra...

       Finalmente, o Teatro Municipal de São Paulo, abriu-se, vez primeira, para um conjunto coral evangélico e, este apresentou o “João Batista”. Em três memoráveis recitais o compositor Maestro Léo Schneider conduziu o Coral Evangélico de São Paulo na apresentação do majestoso oratório.

       Composição clássica diria, na intimidade, Carlo Prina, do II Fanfula; música divina dissera, Francisco Sabetta, ao fim de um ensaio que dirigira.

       Sete vezes em São Paulo – três apresentações no Teatro Municipal com acompanhamento de uma orquestra de amadores; uma vez no Ginásio dos Esportes da cidade de Sorocaba, com acompanhamento de trinta e dois professores de orquestra e, finalmente, três vezes no Teatro Colombo, da capital paulista, com o acompanhamento da grande orquestra sinfônica de São Paulo, sempre sob a condução do compositor – Léo Schneider.

       Bem recebido pela crítica, deixou fundas saudades nos duzentos e dez cantores que o executaram, nos seus familiares e no enorme público que compareceu para ouvi-lo, senti-lo e aplaudi-lo.

       No intuito de alargar o conhecimento da obra de Léo Schneider e a convite da igreja metodista central de Belo Horizonte, preparei o “João Batista” para as solenidades de inauguração do novo templo.

       Com o acompanhamento da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e na ausência do autor que, convidado, não pode comparecer, conduzi a apresentação do “João Batista” na capital mineira.

       Apesar das minhas deficiências como “maestro”, a aceitação foi boa e a acolhida, dada à obra, foi calorosa.

       Pedidos inúmeros solicitavam a partitura, para novas apresentações em vários lugares.

       Só a publicação do oratório atenderia a esse desejo.

       Agora, vencendo grandes obstáculos, ponho ao alcance do evangelismo brasileiro. “O João Batista”, grande oratório em português, composição do Maestro Léo Schneider.

       Espero desta forma burlar a História. Ela aguarda a morte dos criadores para depois erguer-lhes os pedestais.

       Certamente o reconhecimento dos méritos do compositor, do alcance evangelizante da sua obra e da inspiração divina que recebeu para faze-la e que, transmite sempre que ela é apresentada, chegarão ao Maestro Léo Schneider quando ainda, familiares e amigos poderão desfruta-los em sua companhia.

       A acolhida que tiver “O Precursor”, decidirá da publicação do Jesus Nazareno, da Purificação do Templo, da Conversão de São Paulo e do Calvário, oratórios de autoria de Léo Schneider.

       Agradeço-lhe a outorga que me fez dos direitos autorais dos seus oratórios, com o que lhes facilitou a publicação. Garanto-lhe a aplicação de quaisquer recursos dela resultantes, na extensão do Reino de Deus.

       São Paulo, janeiro de 1966 – Nathanael Inocêncio do Nascimento – Bispo”

Observação: Esse texto extraído da partitura do Oratório São João Batista – adquirida no Madrigal Coros Angélicos logo após a publicação em janeiro de 1966 e iniciou os ensaios do Oratório São João Batista, a regente Hildalea Gaidzakian participou, como soprano, na primeira apresentação no Teatro Municipal de São Paulo em 1951 conforme registro na foto oficial. Transcrição com correção da ortografia atual –

Jayme Pereira da Silva – São Paulo, (terça-feira) 24/10/2023