No alto da Colina, com vista para o centro da cidade, está a Vila Zatt
Por Juçara Terezinha Zottis – Jornal Cantareira.

 

Transporte

“Até início dos anos 1960, o transporte era muito difícil. O único meio de transporte até a cidade era o trem ou o caminhão pau-de-arara. Os moradores caminhavam a pé até à estação de Pirituba. Quando alguém morria, era levado por um desses caminhões até o cemitério da Consolação. Telefone só havia em dois pontos: um na estação de Pirituba e outro no Hospital do Pinel. Mais tarde, chegam as primeiras linhas de ônibus, conhecidos como jardineiras de 39, que chegavam até próximo da Vila Zatt”, lembra José Roberto.

“O primeiro grupo escolar de Vila Zatt funcionava onde hoje é a Praça 25 de Novembro e tinha como diretora Maria de Lourdes Batista. Nessa época, funcionava ainda a caneta de pena”, conta Sonia Maria Delgado.

“Não havia energia elétrica até o início dos anos de 1960. A luz era de lampião a querosene. Os moradores compravam fios e postes para poder puxar a rede elétrica. As famílias mais pobres ficavam muito tempo sem luz porque não tinham condições financeiras. A água era tirada do poço com a manivela, o fogão era aquecido com carvão, pois não havia gás de cozinha e a lenha era escassa. Não tinha mercado, nem farmácia. Uma vez por semana, era montada na praça uma barraca onde funcionava uma pequena mercearia, ali as pessoas faziam a compra para semana”, conta Geralda Silveira.

José Oliveira Martins comenta que trabalhava em uma indústria que se chamava Lajes Volterrana, que fabricou as vigas que foram usadas para construir o Palácio da Alvorada em Brasília, no governo JK.

Cultura e Lazer

Um dos meios de lazer era o cinema São Luiz Gonzaga, conhecido como o “pulgueiro”. Também em algumas épocas do ano a prefeitura fazia a exibição de filmes na rua. Era o tal do cinema mudo.

O esporte era a principal atração do bairro, pois havia diversos clubes que desenvolviam, além do futebol de campo, atividades com as crianças e adolescentes. Entre eles estava o Esporte Clube Rio Verde.

“A Vila Zatt tinha o Circo Araponga da família Serrano que promovia shows de calouros, festivais e festas culturais.”, lembra Sonia.

Terceira Idade

A coordenadora do grupo de idosos, Vida Nova de Vila Zatt, Eclésia Oliveira, comenta que o grupo está resgatando a história dos moradores. A assistente Márcia C. Rosa, da Secretaria Estadual da Cultura, que acompanha o grupo, diz que há uma bagagem muito rica guardada com as pessoas de mais de 60 anos que construíram a história do bairro.

 



Jayme Pereira da Silva

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